Hospitalidade

Cuidar das casas quando os donos não estão lá.

A palavra que usamos para aquilo a que a maioria das agências chama gestão de propriedade. É uma prática pequena e constante, feita de muitas pequenas coisas constantes, feitas a tempo e pessoalmente.


Hospitalidade, na forma como este estúdio usa a palavra, não é o anonimato de hotel com toalhas dobradas em cisnes. É o jardineiro que se lembra de que a filha do dono é alérgica a abelhas e planta a alfazema longe do terraço. É a empregada de limpeza que repara que a torneira pinga e diz antes da conta chegar. É, sobretudo, atenção.

Oferecemo-la em três registos, e a maioria dos proprietários usa dois ao mesmo tempo. Cada um é orçamentado com honestidade, faturado mensalmente a partir de Portugal, e descrito por escrito antes de qualquer chave mudar de mão.

I.

Turnover para hóspedes

Para as casas que recebem.

Cada troca de hóspedes é tratada pela mesma pequena equipa: limpeza, roupa, cesta de boas-vindas, entrega de chaves, inspeção de danos. Um supervisor de propriedade, não um temporário de uma agência. Fotografamos cada divisão depois da mudança para que nada se perca na tradução entre hóspede e proprietário.

Tempo de resposta no terreno: menos de trinta minutos na época, menos de duas horas à noite. Mantemos uma lista de empreiteiros para cada propriedade — canalizador, eletricista, serralheiro, técnico de piscina — para que a questão que surge no domingo às dez da manhã esteja resolvida ao almoço.

II.

Manutenção de longo prazo

Para as casas que ficam sobretudo vazias.

A maioria dos proprietários com quem trabalhamos usa a casa portuguesa seis a doze semanas por ano. O resto do tempo a casa comporta-se como um ser vivo que tem de ser alimentado, regado e tranquilizado. Visitamos semanalmente, percorremos as divisões, verificamos os sistemas, abrimos as persianas, corremos as torneiras, anotamos o que pede atenção.

Cada visita gera um registo curto, fotografado onde útil, enviado mensalmente. O ritmo anual: verificação de humidade no inverno, limpeza do jardim na primavera, preparação para chegada no verão, encerramento da piscina no outono, seguido por um relatório completo que se lê como uma carta, não como uma folha de cálculo.

III.

Preparação sazonal

Para os proprietários que chegam em julho.

Aterra no dia 3. A casa foi arejada durante uma semana, a roupa de cama está feita, o frigorífico tem o pequeno-almoço para amanhã, o carro tem gasolina, a piscina está a vinte e oito, o court de ténis está reservado para quinta. O Wi-Fi funciona e a garrafa de branco está fresca. O mobiliário de terraço foi retirado da arrumação e lavado.

Não passa os primeiros três dias de férias a ler contadores e a telefonar para canalizadores. Essa parte já está feita, em silêncio, duas semanas antes de chegar.


Uma semana, mais ou menos

Numa semana média verificamos quinze ou vinte casas.

Dois ou três empreiteiros são recebidos. Uma ou duas chegadas de hóspedes são acolhidas. Acontece alguma coisa imprevista, que é sempre o verdadeiro trabalho da hospitalidade: o frigorífico avaria, o cão do vizinho salta o muro, chega uma carta das Finanças a pedir um formulário de que ninguém ouviu falar. O resto é o que qualquer boa governanta tem feito nos últimos dois séculos.

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